Durante mais de uma década, a avaliação de suficiência em Língua Portuguesa exigiu a elaboração, aplicação e correção manual de provas para centenas de estudantes. Embora o processo permitisse dispensar quem já possuía os conhecimentos necessários, sua execução consumia tempo, recursos e o esforço de diversos professores.
O desafio era transformar as notas do ENEM em uma medida confiável de suficiência, sem prejudicar a qualidade da avaliação. Para isso, foi necessário enfrentar problemas como dados fragmentados, amostras inicialmente insuficientes, diferenças entre as provas anteriores e a necessidade de integrar informações acadêmicas com segurança. Além da parte técnica, a solução também precisava respeitar normas institucionais, critérios pedagógicos e requisitos de privacidade.
A fórmula não foi escolhida arbitrariamente. Primeiro, uma nova prova foi construída e analisada com técnicas psicométricas, como a Teoria Clássica dos Testes e a Teoria da Resposta ao Item. Em seguida, os resultados dessa avaliação foram combinados com as notas de Linguagens e Redação do ENEM.
A equipe testou diferentes composições de notas, conjuntos de variáveis e métodos preditivos, incluindo árvores de decisão e regressão linear múltipla. A regressão apresentou os parâmetros utilizados para estimar o desempenho de cada estudante:
Nota = 0,57 + 0,009358 × Linguagens + 0,001747 × Redação
Com a adoção da solução, estima-se uma economia de 108 horas de trabalho docente e de 1.200 horas de esforço dos estudantes. Também são reduzidos os custos de impressão, aplicação e organização das provas, além do tempo gasto com correções, revisões e processamento manual dos resultados.
O resultado é um processo que combina evidências pedagógicas, análise estatística e integração segura de dados para tornar a decisão mais eficiente sem abrir mão da qualidade da avaliação. O que antes dependia de uma operação extensa passa a ser orientado por um modelo claro, verificável e conectado à realidade acadêmica dos estudantes.